as shy as a killer . . violence! posing and faking oil on veins, a picture of you flesh meets steel such beautiful uglyness tears in the rain


THE LOST ART OF KEEPING A SECRET

Acordei aos poucos com a porta do quarto aberta, a luz da cozinha esquecida acesa inundando gentilmente o
átrio de minha alcova. Emergi do meu sonho lentamente, como se avisado por todos os personagens oníricos,
aos sussurros: "ficamos felizes com tua visita, volte mais vezes". De fato, havia sido uma visita agradável. Conversei com duas garotas que pediam músicas ao invés de pratos, e um amigo mais velho de longa data long departed estava lá também. Conversamos os quatro sobre bobagens, brincando com o fato que o restaurante havia ganho balcões e paredes que nenhum de nós havia notado.
Lentamente despertando, o calor da cama convidando a ficar deitado, ainda mais com o frio que parte do meu rosto sentia. Mas aquela vontade cretina de mijar veio junto com um leve enjoô. Havia jantado e terminado a contragosto um trabalho. Deitei cedo naquela noite, dormi rapidamente. Uma dor de cabeça que vinha se moldando ao longo do dia forçosamente abrindo caminho, mais e mais. Agora que ela havia sumido, esse enjoô e essa mijadeira.
E meu celular registrando uma mensagem não lida.

O carro parou passando por cima de poças d'água ao longo do cordão da calçada. Aquele som áspero de barro e
pequenas pedrinhas sob a pressão dos pneus, adorável. Um lembrete a mais de que havia chovido, a umidade ainda
presente no ar. Noite fria, eu me aproximo do carro em sincronia com sua total parada.
"Recebeu minha mensagem, né? Bom menino...espero não ter te acordado. Se aprontou na hora. Eu não ia te
chamar. Ia passar reto se tu não estivesse aqui, prontinho."
Quase não escutei o que ela disse. O perfume dela, dominando totalmente o interior do mercedez, emanado para
rua. O rádio tocando baixinho, baixinho...quase acreditei que pude escutar o som de suas pálpebras contra os olhos úmidos.

("Como em um sonho...parece que dormimos e esquecemos o caminho de casa, mas rapidamente isso deixa de ter
importância. É como se alguém continuasse a nos pagar vinho em uma taverna acolhedora, com pessoas rindo, mesas de madeira, a lareira acesa em uma noite gelada de inverno."
Ao que parece, meu amigo referia-se a aceitação dos pequenos absurdos de um sonho, como o fato de que ali na rua a geografia da cidade obedecia os caprichos de quem sonha, com prédios, praças e pessoas de alhures satiricamente dispostos onde "não deviam".)

Horas antes...
Somente a sola de seus sapatos, embranquecidas por desgaste e por aparente caminhadas em canteiros de obra (somente isso para explicar aquela cor branca de cal) destoava de seus trajes todos negros. Calça risca de giz, casaco curto, camisa com babados. Os cabelos loiros naturais presos, desprovendo de moldura aquele rosto fino de queixo quadrado, nariz fino e pequeno.
Pernas cruzadas a viagem toda.
E eu ali, sentado em frente dela, desejando todo aquele sapato dentro de minha boca.
Mas naquela noite, dentro do carro, sabia sapato algum entraria dentro de minha boca. Era mais uma vez ombro amigo de uma vagabunda.

(a luz vinda de fora, inundando minha alcova. Aos poucos, aos poucos...quero-a de volta)

Yog MARS - 4:02 AM