ESCREVENDO
(ou como esqueço as coisas)
HOje, deitado no sofá da sala do meu pai, bem relaxãdo, soberano coçando a barriga, olhava quase de ponta-cabeça para os livros na estante. Nem lembro dos livros, só das cores. Tampouco lembro de algumas idéias maravilhosas que tive para histórias ali deitado. Pena, foi um momento de tranqüilidade, escutando uma banda qualquer na vitrola, sentido o cheiro do café sendo passado, alguma voz indistinta na rua ali embaixo. E o pior é que eram idéias boas, caceta; daquelas dignas de se anotar para desenvolver depois. Apenas lembro que queria lembrar delas. Ao menos lembro de alguma coisa, afinal.
'Eu devia era ter um caderninho para essas coisas"
Burro, estava com um caderno ali ao lado, mas nãaaao...o cérebro esclerosado queria um cader-ni-nhooo.
Caderninho, ainda assim, devo andar. Para anotar frases soltas das pessoas na rua, bem coisa de filme. Coisas que os amigos dizem também; frases que se lê em cartazes, nos muros. Todas essas coisas que pulam nas nossas olhotas todos os dias.
E pra anotar possíveis xingamentos pras pessoas, assim, em categorias: cornos mansos, amigos abusados, flertes da xota apertadinha, patrões folgados, colegas bunda-moles. Porque cedo ou tarde vão te decepcionar, meu rapaz. E tu vai ter que sodomizar verbalmente as pessoas, meu rapaz; ou te sodomizarão de outras formas, e não de forma delícia, meu rapaz.
Mas aí na falta de um caderninho eu podia fazer muito bom uso de uma serra-elétrica, ou esmiril, coisa que o valha.
E não que, pô, eu tenho um cataplasma desses á mão? Aqui nos fundos, meu amiguinho de anos me tirando o sono, propiedade do meu vovô querido.
Passei a tarde toda serrando...COISAS. Tri massa.
Por diversas vezes imaginei serem...pessoinhas. Mais afuderes ainda.
Acho que vou convidar as pessoas para virem aqui em casa compartilharem da super serra afuderes.
Como espectadores...ou atores.